para os peixes fora d’agua

Este é para aqueles que caminham na contramão quando o mundo insiste em seguir em fila.
Para os que carregam no peito uma inquietação que não se explica, apenas arde.
Para os que olham o comum e enxergam o invisível.
Para os que não nasceram para caber, porque dentro deles existe algo grande demais para ser colocado em molduras prontas.

Este é para os que sentem demais.
Para os que pensam demais.
Para os que sonham tanto que, às vezes, parecem distantes, como se seus pés estivessem na terra, mas a alma já tivesse atravessado outros mundos.

Para aqueles que tropeçaram porque ousaram correr onde ninguém tinha coragem de pisar.
Para os que ouviram “não vai dar”, “isso não é possível”, “ninguém faz assim”, e ainda assim seguiram.
Não porque não sentiram medo — sentiram.
Mas porque havia algo dentro deles mais forte que o medo: a necessidade de tentar.

Este é para quem nunca encontrou conforto em respostas prontas.
Para quem faz perguntas que incomodam.
Para quem desmonta certezas, atravessa silêncios e desafia verdades que pareciam inabaláveis.
Para quem carrega o peso de enxergar além, mesmo quando ninguém mais consegue ver.

Para os artistas que transformam dor em beleza.
Para os inventores que constroem o que ainda não existe.
Para os poetas que encontram palavras onde o mundo só vê ruído.
Para os sonhadores que insistem em plantar futuro em terras onde só havia dúvida.

Este é para quem já foi chamado de exagerado, estranho, intenso, impossível.
Para quem ouviu risos quando falava de seus sonhos.
Para quem foi desacreditado justamente porque ousou imaginar algo maior.

Porque o mundo sempre estranha quem não aceita o seu tamanho.

E há algo profundamente belo nisso.

Há uma beleza rara em quem não se conforma.
Em quem não abaixa a cabeça diante do impossível.
Em quem escolhe criar em vez de repetir.
Em quem prefere a verdade da própria alma ao aplauso fácil da multidão.

Essas pessoas não vivem apenas dentro do tempo em que nasceram.
Elas o empurram.
Elas o rasgam.
Elas o reinventam.

São elas que fazem perguntas que mudam destinos.
Que desafiam muros que pareciam eternos.
Que transformam cicatrizes em linguagem, fracassos em força, silêncio em revolução.

Nem sempre serão compreendidas.
Muitas vezes serão vistas como excessivas, difíceis, incômodas.
Porque toda luz que rompe a escuridão primeiro assusta os olhos acostumados ao escuro.

Mas são essas almas inquietas que deixam marcas no mundo.
Não porque quiseram ser aceitas.
Mas porque não souberam viver de outro jeito.

Porque há pessoas que não nasceram para repetir histórias.
Nasceram para escrevê-las.

Há pessoas que não vieram ao mundo para se encaixar em formas prontas.
Vieram para quebrar formas, criar caminhos, inventar novas maneiras de existir.

E enquanto muitos chamam isso de loucura, talvez seja apenas coragem em seu estado mais puro.

Porque é preciso uma dose de insanidade para acreditar quando ninguém acredita.
É preciso uma fé quase absurda para continuar quando tudo parece ruir.
É preciso um coração indomável para permanecer fiel ao que se carrega por dentro.

E no fim…
são essas pessoas — as inquietas, as improváveis, as que não cabem, as que desafiam, as que criam, as que insistem —
que lembram ao mundo que a vida não foi feita para ser apenas vivida…

Mas para ser transformada.

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